Acompanhamento clínico de crianças com doença celíaca

Acompanhamento clínico de crianças com doença celíaca

Acompanhamento clínico de crianças com doença celíaca

Cresce incidência de doença celíaca nos últimos anos 

A incidência de doença celíaca (DC) aumentou ao longo do último meio século, resultando em crescente interesse em identificar seus fatores de risco. A DC é caracterizada por uma condição sistêmica imunomediada evocada pelo glúten e prolaminas relacionadas em indivíduos geneticamente predispostos. É caracterizada por uma combinação variável de sintomas clínicos dependentes de glúten, anticorpos específicos de CD, haplótipos HLA-DQ2 e HLA-DQ8 e enteropatia. O seguimento da doença celíaca (DC) é desafiador devido à escassez de dados publicados e à falta de protocolos padronizados baseados em evidências. A frequência mundial e os métodos de acompanhamento da DC parecem ser fortemente influenciados pelas opiniões de especialistas e médicos que avaliam crianças com DC.
Estudos têm mostrado que embora existam fatores ambientais que afetem o risco de desenvolver DC, ainda não se sabe o que são e como proteger os bebês em risco de desenvolvê-lo. Uma opção favorável para explicar o incremento no risco seria a introdução precoce de glúten na dieta de desmame em lactentes ou a duração da alimentação com leite materno. Em um estudo, foi hipotetizado que o leite materno, no momento da introdução do glúten, possa ter um efeito protetor sobre o risco de desenvolvimento de DC. Um consórcio internacional foi criado para testar essa hipótese. Recém-nascidos com alto risco genético de desenvolver DC foram identificados a partir da história familiar e da tipagem HLA após o nascimento. Eles foram amamentados e alocados em dois grupos: um foi exposto ao glúten aos 4-6 meses enquanto ainda estava sendo amamentado; o outro recebeu placebo e só teve contato com o glúten aos 6 meses. Neste estudo, quase 950 crianças foram acompanhadas até os 3 anos de idade; 5,9% do grupo “early-gluten” desenvolveram DC em comparação com 4,5% do grupo “late-gluten”.

Uma manifestação clínica frequente e por vezes isolada da DC é um crescimento deficiente. Tradicionalmente, isso tem sido atribuído a graves danos histológicos que levam à má absorção de nutrientes essenciais, sendo necessário investigar a deficiência de micronutrientes, como o ferro (hemograma completo e ferritina sérica), cálcio, ácido fólico, vitamina B6 e vitamina B12. Alguns estudos mostraram que a DLG pode levar à sobrecarga de proteínas, lipídios e calorias e haver insuficiência em fibras, ferro e cálcio. No entanto uma recente evidência minimizou a importância da triagem de rotina para deficiências nutricionais durante o acompanhamento, a menos que motivada devido à suspeita específica por motivos clínicos.
Outros mecanismos propostos são anormalidades no hormônio do crescimento e no eixo do fator de crescimento semelhante à insulina I e aumento da prevalência de anticorpos antipituitários. Vinte por cento das crianças recém-diagnosticadas podem ser afetadas tanto pela baixa estatura quanto pela puberdade tardia no momento do diagnóstico. Por sua vez, o atraso puberal também pode ser a única característica de DC não diagnosticada. Um papel fundamental do exame físico durante o acompanhamento de crianças com DC é avaliar o crescimento e o estágio puberal e adequar corretamente uma via endócrina específica quando necessário.
O acompanhamento desse paciente é extremamente importante, pois já é sabido que a DC pode estar frequentemente associada a outras doenças autoimunes. A tireoidite autoimune e o diabetes tipo 1 são os distúrbios mais comuns encontrados: cada uma dessas doenças afeta 4% a 5% da população com DC. Atualmente, o único tratamento aceito é a dieta livre de glúten, que consiste na eliminação, ao longo da vida, da dieta das proteínas gliadina e glutamina, frações contidas no trigo, centeio, cevada, malte e aveia. Ainda de acordo com as atuais regulamentações europeias, somente alimentos e bebidas com um teor máximo de 20 ppm de glúten são considerados seguros para pacientes com DC, pois traços de glúten superiores ao limiar de 20 ppm têm-se mostrado prejudiciais em adultos. No entanto essas recomendações têm sido questionadas por questões relativas aos métodos apropriados para determinar o conteúdo exato do glúten nos alimentos. Tem sido sugerido que um limiar conservador para a exposição ao glúten para indivíduos sensíveis varia entre 20 e 100 ppm.

Referências

VALITUTTI, F. et al. Doença Celíaca Pediátrica: Follow-up no centro das atenções. Avanços na Nutrição, v. 8, n. 2, p. 356-361, 2017.

PARZANESE, I. et al. Doença celíaca: da fisiopatologia ao tratamento. Jornal Mundial de Fisiopatologia Gastrointestinal, v. 8, n. 2, p. 27-38, 2017.

AMIL DIAS, J. Doença celíaca: o que sabemos em 2017? GE Portuguese Journal of Gastroenterology, v. 24, n. 6, p. 275-278, 2017.

ANANIA, C. et al. Fatores de risco cardiometabólico em crianças com doença celíaca em dieta isenta de glúten. World Journal of Clinical Pediatrics, v. 6, n. 3, p. 143-148, 2017.

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