Alergias alimentares e suas implicações no cenário atual

Alergias alimentares e suas implicações no cenário atual

Alergias alimentares e suas implicações no cenário atual

As alergias alimentares têm sido reconhecidas como um problema de saúde crescente no Brasil e no mundo. Estima-se que a prevalência seja de, aproximadamente, 6% em menores de três anos e de 3,5% em adultos. Justifica-se a maior prevalência na infância devido à imaturidade imunológica da barreira intestinal, visto que a atividade enzimática ainda não é totalmente eficiente no período neonatal e a imunoglobulina (Ig) A secretora não se encontra completamente desenvolvida até os quatro anos de idade.
As reações de hipersensibilidade aos alimentos podem ser classificadas de acordo com o mecanismo imunológico envolvido, podendo ser mediadas por IgE e/ou células.
As alergias mediadas por IgE decorrem de sensibilização a antígenos alimentares com formação de anticorpos específicos da classe IgE, que se fixam a receptores de mastócitos e basófilos. Exposição posterior ao mesmo antígeno acarreta sua ligação a IgE, assim, provocando a liberação de mediadores vasoativos, que induzem às manifestações clínicas de hipersensibilidade imediata. Entre as reações mais comuns estão as cutâneas (dermatite atópica, urticária, angioedema), gastrintestinais (edema e prurido de lábios, língua ou palato, vômitos e diarreia), respiratórias (asma, rinite) e sistêmicas (anafilaxia com hipotensão e choque).

A reações alérgicas não mediadas por IgE compreendem aquelas em que os anticorpos IgE não têm participação, mas ocorrem graças às IgG e aos linfócitos T. Afetam principalmente a mucosa gastrointestinal e raramente são fatais. Já nas reações mistas (mediadas por IgE e células) estão incluídas as manifestações decorrentes de mecanismos mediados por IgE, com participação de linfócitos T e de citocinas pró-inflamatórias, podendo desencadear esofagite eosinofílica, gastrite eosinofílica e asma.

Atualmente, vários comportamentos e estilos de vida vêm sendo empregados como importantes agentes causadores para desenvolvimento e aumento das alergias.

O primeiro deles é o consumo elevado de alimentos ultraprocessados, como refrigerantes, biscoitos, salgados de pacote, carnes embutidas e guloseimas, pois apresentam grandes quantidades de conservantes, corantes e realçadores de sabor, agrotóxicos, aditivos e estabilizantes, que comumente estão associados a reações alérgicas.

Outro fator a ser destacado é a diminuição do tempo do aleitamento materno exclusivo e a introdução precoce de alimentos ultraprocessados aos lactentes. Vários estudos revelam que o aleitamento materno exclusivo durante os primeiros 6 meses de vida, como preconizado pela Organização Mundial da Saúde, com a apresentação de alimentos sólidos após esse período, reduz a incidência de dermatite atópica e alergias mediadas ou não por IgE.

Estudo de coorte prospectivo de crianças nascidas em Ribeirão Preto-SP e São Luís-MA, no ano de 2010, e avaliadas para esse estudo nos três primeiros anos de vida, mostrou que o aleitamento materno exclusivo até os 6 meses se associou ao menor risco de diagnóstico médico de alergia alimentar, especialmente ao leite de vaca. Uma vez que é rico em nutrientes essenciais ao desenvolvimento adequado do organismo da criança e apresenta Ig, importante agente de defesa.

Os alimentos alergênicos mais comuns são leite de vaca, ovo, amendoim, trigo, soja e crustáceos. Desses, sabe-se que as alergias ao leite de vaca e ao ovo são mais comuns na infância, com manifestações clínicas variadas que podem comprometer o estado nutricional da criança.

Desse modo, faz-se necessária a adoção de estilo de vida saudável, desde cedo, a fim de reduzir os riscos para o desenvolvimento de alergias alimentares. Além disso, é de extrema importância a tríade educação, incentivo e apoio às mães e famílias sobre os benefícios do aleitamento materno como fator de proteção não apenas às alergias, mas para diversas doenças associadas.

Referências

BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Atenção Básica. Guia alimentar para a população brasileira. Ministério da Saúde, Secretaria de Atenção à Saúde, Departamento de Atenção Básica. – 2. ed., 1. reimpr. Brasília: Ministério da Saúde, 2014. 156 p.

BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Atenção Básica. Saúde da criança: nutrição infantil: aleitamento materno e alimentação complementar. Brasília: Ministério da Saúde, 2009. 112 p.

COCCO, R. R. et al. Abordagem laboratorial no diagnóstico da alergia alimentar. Rev. Paul. Pediatr., São Paulo, v. 25, n. 3, p. 258-265, 2007.

FERREIRA, C. T.; SEIDMAN, E. Alergia alimentar: atualização prática do ponto de vista gastroenterológico. J. Pediatr. (Rio J.), Porto Alegre, v. 83, n. 1, p. 7-20, 2007.

MARQUES, E. S.; COTTA, R. M. M.; PRIORE, S. E. Mitos e crenças sobre o aleitamento materno. Ciênc. Saúde Coletiva, Rio de Janeiro, v. 16, n. 5, p. 2461-2468, 2011.

POLÔNIO, M. L. T.; PERES, F. Consumo de aditivos alimentares e efeitos à saúde: desafios para a saúde pública brasileira. Cad. Saúde Pública, Rio de Janeiro, v. 25, n. 8, p. 1653-1666, 2009.

RAMOS, R. E. M.; LYRA, N. R. S.; OLIVEIRA, C. M. Alergia alimentar: reações e métodos diagnóstico. J Manag Prim Health Care, v. 4, n. 2, p. 54-63, 2013.

SANTALHA, M. et al. Alergia alimentar em idade pediátrica. Nascer e Crescer, Porto, v. 22, n. 2, p. 75-79, 2013.

ZEPPONE, S. C. Prevalência e fatores de risco associados a reações a alimentos e diagnóstico médico de alergia alimentar referidos pelos pais em crianças de Ribeirão Preto e São Luís. 2015. 115fls. Tese (Doutorado em Medicina na especialidade Saúde da Criança e do Adolescente) – Universidade de São Paulo, Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto, Departamento de Puericultura e Pediatria, 2015.

Deixe um comentário

Local do Evento

Centro de Convenções - Frei Caneca
Rua Frei Caneca, 569
www.convencoesfreicaneca.com.br/

Telefones

Atendimento ao Inscrito:
(11) 3473-1693 – Ramal 24

Atendimento ao Expositor:
(11) 3586-1764

Assessoria de Imprensa:
(11) 3586-9197 – Ramal 32

Mídias Sociais