Influência da microbiota intestinal na síndrome metabólica em crianças

Influência da microbiota intestinal na síndrome metabólica em crianças

Influência da microbiota intestinal na síndrome metabólica em crianças

A obesidade é uma doença crônica que evolui de forma epidêmica em todo o mundo, atingindo todas as faixas etárias. Sua etiologia multifatorial se associa a fatores genéticos, ambientais e comportamentais. Em crianças e adolescentes, observa-se que a prevalência de excesso de peso triplicou nas últimas três décadas. Nos Estados Unidos, aproximadamente 15% de crianças e adolescentes são obesos, considerando-se como critério para diagnóstico o índice de massa corpórea (IMC) acima do percentil 95 para idade e gênero.

A obesidade na infância relaciona-se à sua persistência na vida adulta, provocando uma série de comorbidades, como dislipidemia, hipertensão arterial sistêmica, problemas psicossociais, alterações do metabolismo da glicose, problemas ortopédicos, apneia do sono, síndrome dos ovários policísticos e esteatose hepática, o que pode promover a chamada síndrome metabólica (SM).

A síndrome metabólica é definida como um conjunto de disfunções antropométricas, fisiológicas e bioquímicas que aumentam o risco de desenvolvimento de doença cardiovascular e diabetes. Na infância e adolescência, a definição da SM é problemática, já que pressão arterial, perfil lipídico e valores antropométricos variam com a idade e o estágio puberal. Deve-se usar, portanto, diferentes pontos de corte para sexo e idade em cada uma das variáveis.

A microbiota intestinal, adquirida no período pós-natal, é formada por grande diversidade de bactérias com determinadas funções, como auxiliar na absorção de nutrientes, proteção contra patógenos e modulação do sistema imunológico. O impacto que a microbiota pode exercer no comportamento alimentar e no sistema nervoso central está relacionado à influência na regulação central do apetite e saciedade. O intestino humano é capaz de digerir fibras dietéticas devido à síntese de enzimas pelas bactérias. Tais enzimas permitem a metabolização de polissacarídeos não digeríveis: monossacarídeos e  ácidos graxos de cadeia curta, principalmente acetato, propionato e butirato. Esses compostos representam importante fonte de energia, de modo a favorecer a redução da adiposidade corporal. Além disso, difundem-se nas células de forma passiva, podendo atuar como sinalizadores celulares, assim, evitando um desequilíbrio fisiológico.

A dieta infanto-juvenil, atualmente, é escassa em alimentos fonte de fibras devido ao excesso de gorduras, açúcares e outros produtos com baixa densidade nutritiva. Por isso, torna-se fundamental um rigoroso monitoramento e tratamento adequado para mudanças de hábitos alimentares nesse público com o intuito de promover a melhora do funcionamento intestinal e evitar o aparecimento de fatores de risco para a SM, devido à modulação de indicadores metabólicos presentes nessa síndrome, aliada a redução do peso corporal.

 

REFERÊNCIAS

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